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PM português acusa BCE de não compreender o ciclo inflacionista

António Costa à chegada ao Conselho Europeu
António Costa à chegada ao Conselho Europeu Direitos de autor Virginia Mayo/Copyright 2023 The AP. All rights reserved.
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De Isabel Marques da Silva com Lusa
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O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, acusou o Banco Central Europeu (BCE) de não compreender a "natureza" do ciclo inflacionista, em declarações aos jornalistas, em Bruxelas, antes do início da cimeira da União Europeia (UE).

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O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, está alinhado com a posição dos seus homólogos sobre "ajudar a Ucrânia a vencer a guerra", preferindo esperar para ver como se desenrola crise interna russa, disse aos jornalistas, quinta-feira, na entrada para o Conselho Europeu, em Bruxelas.

António Costa disse, ainda, que está muito empenhado em debater a crise inflacionista, deixando críticas sobre como se está a lidar com as taxas de juro.

"Creio que não tem havido da parte do BCE uma compreensão suficiente da especificidade do ciclo inflacionista que temos vivido e também não tem tido em devida conta os setores que o têm alimentado", explicou.

O chefe do Governo português afirmou que "hoje é mais ou menos claro" que sobretudo, "o aumento dos lucros extraordinários contribuiu mais para a manutenção da inflação do que os aumentos salariais".

O BCE aumentou as taxas de juro em 400 pontos base ao longo do último ano para 4%, um nível não atingido desde a adoção do euro.

A presidente da entidade, Christine Lagarde, adiantou, esta semana, durante o fórum anual do BCE, em Sintra, que haverá um novo aumento em julho, a menos que haja uma "grande mudança" nas perspetivas.

Ao contrário do que os populistas dizem, os imigrantes não são um custo, pelo contrário, têm sido um fator de crescimento económico e têm sido contribuintes líquidos para a segurança social.
António Costa
Primeiro-ministro, Portugal

Mais migração e competitividade

Quanto à migração, outro tema central na cimeira da UE, o líder português não tem dúvidas de que os imigrantes fazem falta à economia do bloco. 

"Um continente que tem a dinâmica demográfica que a Europa tem, que tem um esforço de crescimento económico a fazer, é um continente que tem de compreender que a migração não é um problema, mas uma necessidade e uma oportunidade para sustentar o desenvolvimento económico e o nosso modelo social", explicou.

Apesar de estar da acordo com a necessidade de uma boa gestão das fronteiras e combate aos traficantes de pessoas, António Costa critica os políticos que demonizam os que buscam trabalho na Europa.

"Ao contrário do que os populistas dizem, os imigrantes não são um custo, pelo contrário, têm sido um fator de crescimento económico e têm sido contribuintes líquidos para a segurança social", acrescentou.

O primeiro-ministro defendeu, também, a criação de um mecanismo permanente de estabilização de crises para responder a futuras situações, classificando como "insuficientes" as propostas para revisão do orçamento comunitário a longo prazo e das regras orçamentais.

"Sabemos que, felizmente, as crises não são permanentes, mas que, infelizmente, são recorrentes, portanto, nós não podemos, cada vez que há uma crise, reabrir a discussão, se necessitamos ou não necessitamos de ter um instrumento", afirmou.

António Costa realçou, ainda, que é improtante encontrar novos parceiros económicos para a UE e que espera que sejam assinados acordos importantes na cimeira com a Comunidade dos países da América Latina e Caraíbas (CELAC), em Bruxelas, em meados de julho.

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